A clivagem entre o medieval (antigo) e o renascimento (moderno)

Notas Aula Luis Alberto Oliveira 26/09/07

A partir do Renascimento, toda a natureza é matematizada com a extensão de figuras matemáticas, idéias, para cobrirem senão todo, maior parte do mundo natural.
Para os antigos matemática é a expressão do ideal harmônico (qualitativo).
A moderna matemática é relacional (segundo bases quantitativas). Não está subordinada ao ideal de harmonia.
O corpo cessa de ser entendido como fixidez, o estar parado não é mais o estado natural dos corpos. O natural dos corpos é moverem-se no espaço e no tempo; a inércia é o movimento retilíneo uniforme dos corpos.
A matemática expressiva de atributos e predicados é aristotélica.
A matemática moderna opera com funções, vínculos entre quantidades.
Não interessa a forma do móvel, mas o movimento.
Assim a matemática deixa de ser predicativa e passa a ser relacional. É primeiro na arte que vai se manifestar este modo de ser, como veremos mais adiante.
A cebola cósmica de Ptolomeu, com sua concepção organicista do universo, é substituída pelo Spectaculo funcional.
O Spectaculo é constituído por :
– uma cena, espaço delimitado identificado a uma volume da geometria euclidiana
– corpos, que deslocam-se neste espaço
– um enredo, dado pelas forças que atuam sobre os corpos, implementações da causa eficiente
– uma marcação, um tempo
– um espectador, cogito cartesiano que observa a cena de fora.

50 anos após Galileo, Descartes irá formular este esquema onde o movimento deixa de ser governado pela causa formal e passa a ser governado pela causa eficiente. (ver aula anterior)
A volúpia, a compulsão pela matematização, vai se traduzir numa geometrização da natureza, abolindo a diferença entre os fenômenos celestes e terrestres. Todos se dão em um espaço inteiramente homogêneo.
A pintura medieval é bidimensional e as figuras são definidas pelo seu contorno. As relações de proporção são simbólicas. Cenas exemplares, dadas não aos olhos sensíveis, mas aos olhos espirituais. Narrativa de cenas estáticas (como os quadros da paixão de Cristo)
Não servem para descrever acontecimentos, que se dão em um local e uma ocasião. Um Espaço e um Tempo.
Com Giotto, a partir de sua técnica de dobra da vestimenta, do drapejado do tecido que supõe um corpo por debaixo, a noção de profundidade, de relevo, vêm a tona. Com Piero della Francesca desenvolve-se a técnica – se é menor está mais longe se é maior está mais perto.

A imagem como janela – entendimento de continuidade entre o que está dentro da janela e o que está fora, desde um ponto de vista sensível. Esvaziando-se o conteúdo simbólico.
Envolve um ponto de vista no qual a imagem irá reproduzir senvivelmente o que vejo na janela. Geometriza do olhar.
Na Santa Ceia de Leonardo, todas as linhas convergem para um ponto que é antípoda do olhar do espectador.

Ágora. Vida publica, centro da cidade. Semente do ideal de geometrização do que é comum. O olhar se horizontaliza – a isonomia do olhar. (iso = igual + nomos = lei)
Raiz Ancestral no plano Hipodamio.?? – parte publica geometrizada, parte privada caótica.
O que aparece é mais importante que o que é – na arquitetura grega clássica as colunas se afunilam no alto para que a um observador em contra-plongé pareçam de diâmetro homogêneo.

A luz é ordenadora do volume. Espaço como volume geométrico.
Assim o espaço é geometrizado antes na arte e depois na ciência (física).

O tempo deixa de ser um fluir e se torna uma sucessão.

Para o olhar sensível o que compõe a presença é a coleção de impressões. A duração inextensa – o fotograma. (A fotografia leva o nome de instantâneo pela aura de verdade que o instante, enquanto duração, supõe de realidade, tempo vivido, passado.)

Na geometrização do espaço e do tempo dá-se a matematização crescente da imagem moderna.

Para o antigo : tempo como sintoma do movimento. O tempo habita no mundo.
Para o moderno: o mundo passou a habitar no tempo. O infinito do espaço no infinitésimo do tempo.
Corpos definidos pelo atributo da inércia.

Causas – forças
Efeitos – variações de movimento

Um não é senão a expressão do outro.

No mundo antigo as almas habitavam o empirio.
No mundo moderno as almas o quê??

Extensão – CORPO – RES EXTENSA – presença
Pensamento – RES COGITO – re- presentação

Descartes colocou na glândula pineal o ponto de ligação entre res extensa e cogito – seguindo a tradição do terceiro olho do hinduismo (1)

Deus não é mais da ordem do mistério; Deus é garantia de verossimilhança. Regulador. Legitimador. Proteção lógica é Deus.
O sujeito como fantasma da máquina.

(1) AS PAIXOES DA ALMA
DAS PAIXOES EM GERAL
ART. 31 – Que há uma pequena glândula no cérebro na qual a alma exerce suas funções mais particularmente que nas outras partes
ART. 32 – Como se conhece que essa glândula é o principal centro da alma
ART. 35 – Exemplo da maneira como as impressões dos objetos se unem na glândula que existe no meio do cérebro

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