A forma humana não está consolidada. Notas de Aula 17/10

O homem está em processo. Esta assombrosa concepção do homem, em construção irá opor-se à idéia medieval de completude. A démarche do homem, da sociedade, do mundo, chama-se história. Este processo é o trajeto de atualização das formas do mundo. Desta maneira, o presente passa a ser governado pelo futuro, ao contrário do mundo medieval, onde reinando a tradição o presente era governado pelo passado.
Um compreensão com ênfase nas forças e trajetórias (causas e efeitos), como se ampliássemos, transladássemos, estas leis mecânicas a uma dinâmica social.

Por isto podemos falar, como Gaston Bachelard de um “corte epistemológico”
Concepções medievais – pré-renascimento
x
Concepções modernas – pós-renascimento

As novas posturas não são mais redutíveis ao campo cognitivo anterior.
A uniformização do pensamento medieval dar-se-á nos séculos XVI e XVII.
A magnificação absoluta do espírito ocorreria quando o homem se conheceria completamente – Quando o espírito – homem – recobre todo o ser (Hegel).

Hoje não pensamos mais assim em termos de uma teleologia do fim da história.
Mas a compreensão do caráter processual perdura.
O progresso é uma apreensão da história que fatalmente levará a satisfação do humano – este é o mito moderno por excelência.
O mito medieval era o mito da salvação das almas.
– Que progresso é esse: 30% morrem de fome. 70% sem saneamente básico…

***

A química, com atraso em relação à Mecânica, também passará por suas transformações, com a superação da alquimia pela química. Novamente observamos um deslocamento da qualidade para a quantidade. Mas permanece a nocão de vínculo mágico entre subjetividade e coisa.

Na alquimia tem-se a idéia da natureza como ser um pleno, com suas substâncias irredutíveis – 5 elementos – entidades contínuas que não têm partes – (base em Empédocles de Agrigento);
A moderna química retoma a idéia de corpos e vazio, partículas irredutiveis, com base na doutrina dos atomistas.

Enquanto Córdoba tinha 400 bibliotecas no século XV, o resto da Europa tinha apenas 40. E é a Andaluzia que irá promover assim a retomada da antiguidade clássica, que por uma ironia do destino, dá-se no sentido inverso: primeiro por Aristóteles, que torna-se canônico, seguido por Platão, visto como revolucionário (! logo ele ) para então chegar-se finalmente aos pré-socráticos.

O primeiro neo-atomista será Giordano Bruno.

próximo post: Fazer medições permite ler a escritura de Deus no mundo.

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muita cousa
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