do espelho

“Todo aquele que reflete está interessado no espelho. O espelho é por definição, um instrumento que reflete, que especula (de speculum = espelho). São Paulo diz que as criaturas são espelhos que refletem Deus. O empirismo iluminista concebe o intelecto como espelho da natureza. O criticismo de Kant é uma revolta contra o espelho e condena o conhecimento especulativo. Para Hegel é o fluxo da realidade um contínuo espelhar de espelhos contrapostos em ângulos, e a dialética é o pensamento especulativo. Finalmente, Wittgenstein concebe a língua e a realidade como dois espelhos pendurados em paredes opostas num quarto vazio. Podemos enfocar, se quisermos, toda a história do pensamento do ponto de vista do espelho. Não seria, creio, um ponto de vista desinteressante. Mas o propósito do preste artigo é outro. Nutre a convicção de que o interesse pelo espelho tem atualmente uma estrutura diferente. Não estamos mais tão interessados na face reflexiva do espelho. O nosso interesse está na outra face, naquela que está coberta pelo nitrato de prata. Estamos invertendo espelhos. Este é um dos traços característicos da atualidade: espelhos invertidos. E espelhos invertidos serão o tema desse artigo.”


DO ESPELHO. 
Flusser, V., Ficções Filosóficas, São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998. Páginas 67-71.

como virar o espelho? 1 – estruturalismo; 2 – fenomenologia; 3 – meditação (mas esta é oriental)

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