Teatro Municipal

Olá Lalá, tudo bem? Bom dia!
Querida, desde 2007, quando comecei o meu Mestrado em Tecnologia e Estéticas na ECO, desenvolvo uma pesquisa com circuitos de vigilância. Defendi minha dissertação “Do circuito fechado de TV às redes abertas de cinema ao vivo” em 2009, uma espécie de manifesto sobre a possibilidade de apropriação estética dos circuitos de segurança – a princípio alheios ao universo do cinema e da perfomance, mas como todo dispositivo produtor de imagens, plenos para exercer uma capacidade poética.
No meu blog vc encontra link para projetos relacionados e também o pdf de minha dissertação, caso haja interesse:
Minha pesquisa tem ao menos dois eixos. Um que propõe encenacoes de situacoes ficticias diante das cameras de vigilancia, potencializando-as como cameras de espetáculo, e não de seguranca. Se percebermos que o telejornalismo hoje lanca mão de grande parte de sua cobertura baseado neste material, minha proposta faz sentido. O outro eixo de minha pesquisa é uma abordagem mais documental, observacional, cinema direto. Realmente há uma questão paradoxal que é a restrição às imagens de segurança por questões de … segurança! No entanto, 99% das imagens captadas por estes dispositivos são corriqueiras, banais, anódinas ou tediosas, muito mais próximas a um registro do cotidiano que nos remete a um pré-cinema bem primitivo e automatizado, do que o registro de algum flagrante espetacular ou prova de crime. Esta é a discussão que proponho.
Estive há cerca de dois meses na central de monitoramento da Prefeitura, a fim de desenvolver a ideia de encenação de situações ficcionais diante das câmeras da CET Rio, a fim de realizar um “filme” que fosse gravado inteiramente por estas câmeras, que, na verdade, são públicas. Os administradores foram simpáticos a ideia, me informando que o Luciano Huck e o Pedro Bial inclusive já fizeram isso, e que eu poderia apresentar o roteiro, que estou desenvolvendo.
Existe hoje no Brasil e no mundo uma expressiva produção de artistas que atuam no campo da vigilância. Recentemente realizei uma curadoria para a revista inglesa Surveillance and Society, onde faço um mapeamento desta produção na América Latina na última década, incluindo o trabalho de artistas como Lucas Bambozzi e Ricardo Basbaum. Aqui o link para o site da curadoria e artigo que a acompanha, caso haja interesse: http://www.pec.ufrj.br/surveillanceaestheticslatina/
Na Europa, um dos artistas mais renomados a trabalhar o tema da vigilância e do controle é o cineasta Harun Farocki, radicado em Viena, e que inclusive expôs na Bienal de SP em 2010. Em novembro Farocki virá ao Brasil ministrar um workshop aos estudantes de pós graduação da UFRJ, no qual, como Doutoranda em Artes Visuais, tomarei parte. Neste workshop trabalharemos em cima da ideia de planos sequencia que retratem algum tipo de trabalho, e estou pensando em cruzar as esferas do trabalho e do controle em minha criação. Esta seria uma possibilidade de proposta ao Municipal.
Neste contexto, gostaria de começar uma conversa com vcs. Começando pela idéia muito simples de uma visita e algumas fotos na cabine do vigia – nem sei se ela fica no próprio teatro, hj em dia com as redes telemáticas a vigilância pode ser exercida remotamente… Até a idéia mais abusada mirabolante e megalômana de fazer uma grande performance com as câmeras do teatro e projetar num telão num espetáculo de Live Cinema!
Me diga se faz algum sentido para vc isso tudo que escrevi que a gente marca um papo.
Bjo grande e agradecida pela atenção
Paola

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muita cousa
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