Eu queria agradecer…

743822267Este debate é uma parte muito importante da ação Cine Fantasma, que se criou nesta edição da Mostra do Filme Livre. Pensando hoje em formas de apresentar o que seja o Cine Fantasma, percebi que ele está conectado a ainda mais dimensões do que a minha vã filosofia poderia imaginar… está ligado às memórias da minha infância e adolescência, e também à minha formação como cinéfila e cineasta. E ainda a experiências que me marcaram pra vida, com certos filmes e certos lugares. Ao perceber a forma como o projeto afeta uma multitude de pessoas, de classes sociais, gerações e origens distintas, pude entender que não era um projeto individual, mas coletivo. Encontrei no Guilherme Whitaker um parceiro fantástico, que soube, com sensibilidade e inteligência, produzir a primeira rodada do projeto da melhor maneira possível. Muito grata. Mas além deste aspecto, por assim dizer, memorialista, o Cine Fantasma também se conecta às questões contemporâneas de distribuição de filmes, de salas de cinema, novas formas de compartilhar imagens, dividir o espaço comum e compartilhar imaginários. Quando vejo nas redes sociais o Kleber Mendonça Filho acompanhando, sala a sala, semana a semana, a vida do seu filme O Som ao Redor, consigo ver um aspecto Cine Fantasma aí, que é essa disputa por territórios, por espaços de exibição para os filmes que a gente produz, que a gente vê.  Os filmes que a gente não consegue realizar e pernanecem em estado de projeto, ou os filmes que a gente realiza, mas não consegue lançar, ou não consegue que permaneçam em cartaz. É uma disputa simbólica, mas é uma disputa física também. Da mesma forma que quando eclode um debate público sobre a taxa de ocupação dos cinemas por blockbusters, ou a distribuição alternativa de filmes pela internet; ou ainda as manifestações e protestos que temos acompanhado por conta das reformas e transformações que a nossa cidade vem sofrendo, às vezes sem levar em conta o patrimonio histórico, material e imaterial, ou os aspectos simbólicos da geografia e da arquitetura dos bairros. Tem colegas que me perguntam: você não faz mais cinema? Sim! Eu faço cinema, um outro cinema, um pós-cinema ou agora, um cinema do além. Mas o Cine Fantasma só existe e encarna, porque tem muita gente que acredita na fantasmagoria. E como é muito assunto e  assunto vasto, conseguimos reunir um time responsa pra ajudar a pensar estas questões com a gente. Fora o debate aberto que segue todo dia na nossa pagina no FB, tenho a honra e a alegria de convidar para essa mesa nosso mestre querido João Luiz Vieira, cujas aulas de Linguagem e Teoria Cinematográfica assombram, para sempre, e no bom sentido, todos que passaram pela UFF. Tadeu Capistrano, a quem tive o prazer de conhecer mais recentemente, e que leva, muito a sério, as histórias de fantasma. E por fim, o Pablo de Soto, arquiteto e colega de doutorado querido, que com suas ideias visionárias e apaixonadas, vai nos ajudar a pensar dimensões mais evidentemente políticas do Cine Fantasma. São três visões que se misturam e interconectam. Muito grata a todos! O Cinema de rua morreu, viva o cinema de rua!

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muita cousa
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