Não mais que uma lauda

Cinema Vivo : Cartografias espaço temporais

Minha questão principal é sobre morte e vida do cinema.

Minha hipótese é de que o cinema, hoje expandido como audiovisual, não morreu, mas sobrevive, ou melhor, renasce e floresce de diversos modos. O que morreu, ou por outra, o que se encontra enfraquecido, é uma forma estável, imutável e dada para os filmes. Contudo, a potência do cinema reaparece, fortalecida, em formas coletivas de produção de imagens, entendidas na perspectiva do pensamento dialógico (Flusser) e político (Rancière) da experiência estética.

Vou atacar esse problema investigando arquiteturas para espaços de projeção e estruturas narrativas que propõem formas instáveis de filmes, que se reconfiguram a partir de contextos, conjunturas e comportamentos de espectadores, resultando em sistemas complexos de produção e projeção para bancos de imagens.

Neste sentido a teoria ator-rede (Latour) e a compreensão da imagem como engrama (Warburg) se conjugarão no esforço de construção de um cinema de banco de dados (Seaman; Manovich), onde a figura do realizador e o dispositivo clássico narrativo, estabelecidos e sistematizados no inicio do século XX, tendem a se diluir, e onde agenciamentos entre o material a ser projetado, os espectadores e o dispositivo produtor/reprodutor de imagens se reconfiguram a cada “sessão”.

Como metodologia pretendo empreender experimentos de projeção audiovisual, problematizando elementos de base do cinema – projetor, tela, arquivos de filmes – em situações onde o conceito de feedback é central. Na busca pelo que seja a vida do cinema, o estudo de modelos orgânicos abordados por autores da chamada cibernética de segunda ordem (Simondon; Maturana; Plaza) fornecem conceitos que auxiliam na investigação. Contudo, a técnica, a tecnologia e a cibernética não são uma “solução” para o problema da morte do cinema, mas caminhos de abordagem que enriquecem a compreensão sociotécnica do filme como um sistema complexo.

Ao lidar com bancos de imagens e gerenciamento de arquivos, categorias como memória e temporalidade da imagem serão trabalhadas, tendo a pesquisa de Bergson e Deleuze como matriz.

Investigando maneiras como as imagens aparecem e combinam-se, ou, como ficcionaliza Flusser, “relacionam-se magicamente”, processos de justaposição, montagem e sobreposição serão trabalhados, em diálogo com autores de estudos de cinema como Vertov, Eisenstein e Bazin.

Estas são as bases de investigação de um cinema vivo, que não tem uma forma fechada, mas é concebido como um organismo dotado de imagens que se produzem, recombinam e retroalimentam a partir também da atividade espectatorial. Um cinema assombrado por suas virtualidades.

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muita cousa
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