Em que sentido podemos pensar as imagens como “vivas”? Que características tem essa vida?

A esta inquietante questão, que nos assombrou ao longo de dois meses, culminando com o artigo, entregue, enfim ontem, a Professora Ivana Bentes, responde de bate pronto, em entrevista. Nos chama a atenção a adoção do mesmíssimo modelo para o caminho, cf  trecho da entrevista citado abaixo e publicado na íntegra no link :

“Se a imagem é uma “forma que pensa e um pensamento que forma”, segundo a bela definição de Jean-Luc Godard, podemos nos perguntar: que pensamentos, que energia, que temporalidades produzem o fluxo das imagens. A imagem pode ser pensada hoje como “viva”, como energia, apontando para novas potencialidades da imagem não-narrativa, não-representativa. A ideia de uma bioestética me parece extremamente sugestiva para pensarmos essa nova configuração. Poderíamos também pensar a própria teatralidade das imagens, no sentido de um entrar em cena, de um drama das imagens, de uma performance das imagens pensadas como “bios”, como vivo, como vitais. Por exemplo, o uso das imagens em cena, uma incorporação das imagens técnicas no teatro (ou como personagens virtuais no cinema), onde a “presença”, o “ao vivo”, o drama performado no aqui/agora pode se abrir para temporalidades e espacialidades outras, como a simultaneidade. Atores que contracenam com a sua própria imagem, a relação de atores com cenários e personagens virtuais, a combinação do ao vivo da presença do ator em cena, com o ao vivo da imagem-vídeo, etc. Um modelo interessante para a produção de imagens e o entendimento desse campo complexo é pensá-la como um processo de singularização, de “individuação”, como proposto por Gilbert Simondon e retomado por Gilles Deleuze. Simondon fala do “indivíduo e de sua gênese físico-biológica”. Se pegarmos o mesmo problema trazido por Simondon e aplicarmos ao campo das imagens poderíamos dizer que o princípio da produção de imagens deve ser verdadeiramente genético. Ou seja, as imagens, como os indivíduos, não são um “resultado”, são um meio de individuação. Podemos nos perguntar frente a determinadas imagens, qual a sua energia potencial e não mais “o que representam”.

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