Ninfomaníaca

Saí direto da sessão do filme de Lars von Trier para a Sede das Cias.

A convite do João Marcelo, a proposta era apresentar a pesquisa com a sensibilidade vegetal e mostrar como funciona o Cine Planta.

Em primeiro lugar, contextualizei a questão do Live Cinema, problema central: como pensar o cinema, fluxo de imagens, em termos de uma experiência, um acontecimento, que se constitui à medida em que vai sendo fruído? Como ativar modos de aparição junto da imagem? Que dispositivo interativo pode ser este, não apenas um gadget mas uma forma de transindividuação ou transubjetivação? Poderia o cinema ser pensado em termos de um espectro, de um range, de uma onda?

Em seguida falei brevemente de como o encontro com o Laboratório Nano, Núcleo de Novos Organismos do PPGAV-UFRJ, havia dado um novo encaminhamento a esse problema, e de como a pesquisa do Guto com sensibilidade vegetal, ao recuperar o trabalho de Backster e outros pioneiros, estava ligada ao Cine Planta, Cine Vivo, que eu estava buscando. Ao ouvir o nome de Backster alguns reconheceram e falaram da “Vida secreta as plantas“.

Fase três: montar o plantronic. Como sempre, demorou duas horas até colocar o circuito funcionando. Eu havia emprestado o arduíno ao Marlus, e por algum motivo que eu não conseguia identificar não estava funcionando, precisava de algum ajuste pra começar a responder. Por sorte o Marlus estava on line e me ajudou a conferir uma bobagem que eu havia esquecido: “checar se a porta é tty usb e o board arduino uno.” Bingo!

Expliquei como a saliva, mais do que a água, aumentava a condutividade das folhas. Um dos presentes falou de como a água salgada é muito mais rica em condutividade do que água sem sal, e citou um método de revelação fotográfica, baseada no sódio da água salgada. (A ser conferido)

Começou então o festival de babação da planta. Primeiro tentamos com uma amoreira, mas as folhas eram moles demais, as pinças escorregavam e ficavam vesgas. Tentei com um chifre de veado, uma folha forte e com uma boa área para interação, mas os cabos do arduíno e o fio terra eram curtos demais e a altura da planta, fixa na parede, exigia que o computador ficasse meio equilibrado, não estava dando certo, desmontava toda hora. Nessa hora fica evidente que é preciso também ter um bom kit de ferramentas simples a mão: tesoura, fita isolante, fio, extensor USB etc. E paciência, sempre! Muita.

Encontramos enfim em um vasinho de suculenta a interface ideal. João ajudou a colocar a planta inteira “ligada”. Foi dando toques, lambidas, babadas e apertadas que ativaram a suculenta rapidamente. Impressionante. Assim como havia ocorrido a semana anterior na casa da Fabi, o estímulo da planta ganhou um caráter totalmente erótico.

P1150634to be continued…

About paoleb

muita cousa
This entry was posted in a vida secreta dos objetos, Aesthetics, Cinema Studies, Lab_Nano, Work in progress and tagged , . Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s