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M6 – SHALOM – 01- O VIVO E O ARTIFICIAL
“Para a maioria das culturas não-ocidentais o homem não é o sujeito do mundo, mas presença intra-mundana. Seu “espírito”, sua “alma”, não passa, de agregado rarefeito do material mundano, de “sombra”, de “espectro”, (espiritismo, metemspicose).”

– A diferença entre o vivo e o não vivo desaparece.

“Desde que se tornou possível decompor os objetos em partículas elemantares, os seres vivos em informações genéticas elementares, os gestose movimentos em “actomas elementares, e os pensamentos humanos em bits elementares, tornou-se igualmente possível manipualr tais elementos,computá-los e programá-los.”

espasmo:

Contra a transformação objetificante do homem – característica do ocidente – a transformação dos objetos em sujeitos. Subjetivação do mundo em lugar de objetivação do mundo. Todas as coisas vivas, possuídas por daimons. Animismo redentor. Imanência em lugar de transcendência.

Potencial anímico das imagens: se a objetificação do mundo e dos homens é o abismo para o qual o ocidente caminha, é preciso lutar contra a objetificação do próprio cinema, como horizonte de um projeto ocidental, consumado e consumido pelo capital:
a subjetivação do mundo e de todas as coisas – não coisas – daí poderia surgir como alternativa.

a subjetivação das coisas (não-coisas) não por obra do homem mas por agenciamentos coletivos.

o agenciamento coletivo do mundo possibilitando a emergência de subjetividades, coágulos provisórios.

No cinema desde quando se caracterizou como espetáculo o espectador nunca foi passivo. Hitchcock não nos deixa esquecer de como a criação do suspense depende e supõe a atividade incessante do espectador. Ou Sergei Eisenstein, que sugere o nexo da montagem na sugestão na completude mental.
Psicologia do cinema supõem imersão reflexão reconhecimento.

De que formas estes estados poderiam ser rebatidos no próprio filme? O filme também tornar-se outro pela experiência? O filme tornar-se outro, em sua estrutura mesma, não pela ação direta do sujeito projecionista, exibicionista, mostrador unicamente, mas pelo agenciamento coletivo do cinema? Como maquinar isso? Um cinema onde o filme é uma não-coisa que se metamorfoseia junto do espectador e saem os dois transformados da experiência da projeção?

Isso significaria que o filme teria ele também uma memória, que o filme se tornaria, por assim dizer vivo. Vivo, segundo a biologia, é o que tem capacidade de se reproduzir.

E aqui o vivo está se opondo não a noção de morte, mas a noção de não vivo.

A forma-de-vida proposta por Agamben para definir a vida humana, em sua plenitude de potências. A forma-de-vida como a potência para se tornar abertura para o devir. No entanto restrita a humanidade. Desde uma perspectiva onde o homem é o único animal para o qual existe a felicidade. E uma felicidade das máquinas? Ou uma felicidade das coisas? “A vida humana, na qual o modos, os atos e os processos singulares do viver não são jamais simplesmente os fatos, mas sempre e antes de tudo possibilidades de vida, sempre e antes de tudo potências.”

Não prescrito por uma determinação biológica: mas o que seria?

les actes et les processus singuliers du vivre ne sont jamais simplement des faits, mais toujours et avant tout des possibilités de vie, toujours et avant tout des puissances.
to be continued

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muita cousa
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