Levi Strauss

Do mito grego ao mito ameríndio

“Em sua entrevista para Didier Eribon, que lhe pergunta “O que é um mito?”, Lévi-Strauss responde: “Se perguntarmos isso para um índio americano ele dirá: um mito é uma história do tempo em que os animais falavam”. E acrescenta: essa definição, hipotética, mas verossímil, é, na verdade, muito profunda, porque os homens nunca se conformaram por terem obtido a cultura à custa da perda do acesso comunicativo às outras espécies. O mito, então, é uma história do tempo em que os homens se comunicavam com o resto do mundo.”

O cru e o cozido

Claude Lévi-strauss por eduardo viveiros de Castro
EduardO ViVEirOS dE CaSTrO (EnTrEViSTa) – estudos avançados 23 (67), 2009
Publicado em Hors Série – La Lettre du Collège de France, Claude Lévi-Strauss – Cen- tième anniversaire, novembre 2008. entrevista concedida a Marc Kirsch. tradução de Paulo neves. o original em francês – “Claude Lévi-strauss vu par eduardo viveiros de Castro” – encontra-se à disposição do leitor no Iea-usP para eventual consulta.
Recebido em 16.7.2009 e aceito em 21.8.2009.

“ele transformou o “primitivo” do século XIX, personagem essencialmente negativa ou privativa, na figura positiva do “selvagem”, devolvendo-lhe algo do papel que ele tinha no século XvI, ao retomar inspira- ções presentes em Montaigne e Rousseau, duas referências fundamentais em sua obra.”

“ele é alguém que fala constantemente da humanidade e da espécie humana. apenas, ele quer separar a ideia de humanidade da ideia de sujeito. no final de O pensamento selvagem, em um diálogo polêmico com o pensamento de sartre, sustenta que é preciso ousar “empreender a resolução do humano em não humano”. Isso equivalia, alegava sartre, a estudar os homens como se fossem formigas: mas, explica Lévi-strauss, “além de essa atitude nos parecer ser a de todo homem de ciência a partir do momento em que é agnóstico, ela não é muito comprometedora, pois as formigas, com seus cultivos artificiais de co- gumelos, sua vida social e suas mensagens químicas, já oferecem uma resistência suficientemente coriácea aos empreendimentos da razão analítica…”.”

“(…) a ficção científica é a metafísica popular do nosso tempo, nossa nova mitologia.
Lévi-strauss provavelmente percebeu essa evolução, daí sua insistência, em O pensamento selvagem, na convergência entre o pensamento selvagem e a vanguarda da ciência da sua época, a cibernética, a teoria da informação etc. Parece que o mais primitivo e o mais avançado se juntam desde a grande época da modernidade, os séculos XIX e XX. É uma forma de anunciar as corren- tes contemporâneas em favor do homem natural tecnicizado e a convergência, manifesta em algumas correntes do pensamento de esquerda americano, entre neoprimitivismo e tecnofilia, o que geralmente é apresentado como uma toma- da em mãos por nossa espécie de seu próprio destino por meio da tecnologia.” – conectar com Margaret Mead

Conexões com Mauss – esboço para uma teoria da magia. Ler ontem esse.

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muita cousa
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